sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Até Breve!

Vou deprimir algures em França, por estes dias e, apesar de não fumar,
vou levar comigo um daqueles isqueiros sem gás, cuja única utilidade consiste em produzir faíscas.
É que não deve haver efeito mais bonito quando se está completamente às escuras.
Nisto, e em jeito de auto-avaliação, sou bem capaz de ter acabado de criar o meu post preferido.

domingo, 26 de Julho de 2009

Would you erase me?

Em Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), as memórias são canais ambíguos que transportam sempre consigo uma bênção e uma maldição. Se, por um lado, as memórias positivas nos inspiram a enfrentar novos desafios, as memórias negativas podem ser castrantes. É devido ao seu carácter subjectivo que as memórias modelam as nossas percepções sobre a realidade e sobre as nossas relações e, inerentemente, vivemos sempre em função das mesmas. É numa sequência não cronológica da relação entre Joel Barish (Jim Carrey) e Clementine Kruczynski (Kate Winslet), que após a submissão de ambos a uma intervenção cirúrgica ao cérebro para que se pudessem esquecer, visitamos os recantos claustrofóbicos, infantis e reconfortantes de uma relação com oscilações permanentes, consumidos pela dor da perda, na esperança contraditória de regressar ao plano consciente, o único lugar onde todos os espectros do passado adquirem um reconhecimento vital. Existe sempre a alternativa de fechar os olhos, mas um dia destes teremos de voltar a abri-los. Em momentos particulares de esmagadora inocência, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é o filme das metáforas de um amor esquecido revisitadas na casa à beira-mar que se desmorona na plenitude do arrependimento conduzindo ao abismo derradeiro que desaba no esquecimento eterno.

Dia dos Avós - Uma história de sempre com gente de sempre.


Era uma vez, no antigo país das fábulas, uma família em que havia um pai, uma mãe, um avô que era o pai do pai e aquela já mencionada criança de oito anos, um rapazinho. Ora sucedia que o avô já tinha muita idade, por isso tremiam-lhe as mãos e deixava cair a comida da boca quando estavam à mesa, o que causava grande irritação ao filho e à nora, sempre a dizerem-lhe que tivesse cuidado com o que fazia, mas o pobre velho, por mais que quisesse, não conseguia conter as tremuras, pior ainda se lhe ralhavam, e o resultado era estar sempre a sujar a toalha ou a deixar cair comida ao chão, para já não falar do guardanapo que lhe atavam ao pescoço e que era preciso mudar-lhe três vezes ao dia, ao almoço, ao jantar e à ceia. Estavam as coisas neste pé e sem nenhuma expectativa de melhora quando o filho resolveu acabar com a desagradável situação. Apareceu em casa com uma tigela de madeira e disse ao pai, A partir de hoje passará a comer daqui, senta-se na soleira da porta porque é mais fácil de limpar e assim já a sua nora não terá de preocupar-se com tantas toalhas e tantos guardanapos sujos. E assim foi. Almoço, jantar e ceia, o velho sentado sozinho na soleira da porta, levando a comida à boca conforme lhe era possível, metade perdia-se no caminho uma parte da outra metade escorria-lhe pelo queixo abaixo, não era muito o que lhe descia finalmente pelo que o vulgo chama o canal da sopa. Ao neto parecia não lhe importar o feio tratamento que estavam a dar ao avô, olhava-o, depois olhava o pai e a mãe, e continuava a comer como se não tivesse nada que ver com o caso. Até que uma tarde, ao regressar do trabalho, o pai viu o filho trabalhar com uma navalha um pedaço de madeira e julgou que, como era normal e corrente nessas épocas remotas, estivesse a construir um brinquedo por suas próprias mãos. No dia seguinte, porém, deu-se conta de que não se tratava de um carrinho, pelo menos não se vía sítio onde se lhe pudessem encaixar umas rodas, e então perguntou, Que estás a fazer. O rapaz fingiu que não tinha ouvido e continuou a escavar na madeira com a ponta da navalha, isto passou-se no tempo em que os pais eram menos assustadiços e não corriam a tirar das mãos dos filhos um instrumento de tanta utilidade para a fabricação de brinquedos. Não ouviste, que estás a fazer com esse pau, tornou o pai a perguntar, e o filho, sem levantar a vista da operação, respondeu, Estou a fazer uma tigela para quando o pai for velho e lhe tremerem as mãos, para quando o mandarem comer na soleira da porta, como fizeram ao avô. Foram palavras santas. Caíram as escamas dos olhos do pai, viu a verdade e a sua luz, e no mesmo instante foi pedir perdão ao progenitor e quando chegou a hora da ceia por suas próprias mãos o ajudou a sentar-se na cadeira, por suas próprias mãos lhe levou a colher à boca, por suas próprias mãos lhe limpou suavemente o queixo, porque ainda o podia fazer e seu querido pai já não. Do que veio a passar-se depois não há sinal na história, mas de ciência mui certa sabemos que se é verdade que o trabalho do rapazinho ficou em meio, também é verdade que o pedaço de madeira continua a andar por ali. Ninguém o quis queimar ou deitar fora, quer fosse para que a lição do exemplo não viesse a cair no esquecimento, quer fosse para o caso de que a alguém ocorresse um dia a ideia de terminar a obra, eventualidade não de todo impossível de produzir-se se tivermos em conta a enorme capacidade de sobrevivência dos ditos lados escuros da natureza humana. Como já alguém disse tudo o que possa suceder, sucederá, é uma mera questão de tempo, e, se não chegámos a vê-lo enquanto por cá andávamos, terá sido porque tínhamos vivido o suficiente.

Intermitências da Morte (2005), José Saramago

sábado, 18 de Julho de 2009

Idiossincrasias do Allgarve.

- Next time, you have to bring your shoes.
- I'm portuguese.*

*Aliás, éramos as duas.

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Se os olhares matassem...


Quando alguém se lembrar de fazer um remake do The Shining evita, desde já, de perder tempo com castings. A actriz principal parece ter sido encontrada! Fica o aviso. Heeeere's Michelle!
R E D R U M

Dedicado.*


*Ao David.
A (falsa) intenção era animar-te, mas se não consegui depois escrevo-te um bilhete pessoal,
porque há coisas que não se dizem no blog.
Perdoem-me os curiosos.

My own private summer.

Depois de se recompor por ter gritado com propósito vincado "Yes, we camp",
este blog vai até à praia.

domingo, 5 de Julho de 2009

Viagens na Minha Terra I

Dizem que é uma cidade triste e sombria. Terão visto o dourado que emana das igrejas? A alegria que ecoa nos novos bares? O brilho das melhores lojas? Grande e pequena, cosmopolita e familiar, Porto é cidade que apetece. Sempre na medida certa.

Rita Lúcio Martins in Evasões (Julho 2009)

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Um óptimo fim-de-semana a todos...

...que eu cá vou aproveitar para me afastar destas vivências virtuais e
disfrutar da essência naturalista que oferece a arte de acampar.

quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Uma questão de protagonismo.

Não vai haver garoto nenhum a ocupar o cargo do Sr. Ministro!

[Há coisas que me transcendem, muito para além da morte do Michael Jackson, deste gesto do ministro Manuel Pinho e da ambição de certos e determinados garotos que para aí andam, claro. Mas realmente, assimilar a ideia de que vou acampar este fim-de-semana assemelha-se em tudo àquele momento em que me deparei com a frase
"Bruce Willis was dead the entire movie."]