Em Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), as memórias são canais ambíguos que transportam sempre consigo uma bênção e uma maldição. Se, por um lado, as memórias positivas nos inspiram a enfrentar novos desafios, as memórias negativas podem ser castrantes. É devido ao seu carácter subjectivo que as memórias modelam as nossas percepções sobre a realidade e sobre as nossas relações e, inerentemente, vivemos sempre em função das mesmas. É numa sequência não cronológica da relação entre Joel Barish (Jim Carrey) e Clementine Kruczynski (Kate Winslet), que após a submissão de ambos a uma intervenção cirúrgica ao cérebro para que se pudessem esquecer, visitamos os recantos claustrofóbicos, infantis e reconfortantes de uma relação com oscilações permanentes, consumidos pela dor da perda, na esperança contraditória de regressar ao plano consciente, o único lugar onde todos os espectros do passado adquirem um reconhecimento vital. Existe sempre a alternativa de fechar os olhos, mas um dia destes teremos de voltar a abri-los. Em momentos particulares de esmagadora inocência, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é o filme das metáforas de um amor esquecido revisitadas na casa à beira-mar que se desmorona na plenitude do arrependimento conduzindo ao abismo derradeiro que desaba no esquecimento eterno.domingo, 26 de Julho de 2009
Would you erase me?
Em Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), as memórias são canais ambíguos que transportam sempre consigo uma bênção e uma maldição. Se, por um lado, as memórias positivas nos inspiram a enfrentar novos desafios, as memórias negativas podem ser castrantes. É devido ao seu carácter subjectivo que as memórias modelam as nossas percepções sobre a realidade e sobre as nossas relações e, inerentemente, vivemos sempre em função das mesmas. É numa sequência não cronológica da relação entre Joel Barish (Jim Carrey) e Clementine Kruczynski (Kate Winslet), que após a submissão de ambos a uma intervenção cirúrgica ao cérebro para que se pudessem esquecer, visitamos os recantos claustrofóbicos, infantis e reconfortantes de uma relação com oscilações permanentes, consumidos pela dor da perda, na esperança contraditória de regressar ao plano consciente, o único lugar onde todos os espectros do passado adquirem um reconhecimento vital. Existe sempre a alternativa de fechar os olhos, mas um dia destes teremos de voltar a abri-los. Em momentos particulares de esmagadora inocência, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é o filme das metáforas de um amor esquecido revisitadas na casa à beira-mar que se desmorona na plenitude do arrependimento conduzindo ao abismo derradeiro que desaba no esquecimento eterno.
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3 comentários:
Un espléndido relato y un film inolvidable...
AH, muito bem, muito bem.
Parecia que estava a ler uma critica de um grande escritor de cinema.
Quando vi o filme não me bateu como esperava.
Quando voltei a vê-lo, percebi que era magnifico.
Hoje em dia, é uma referência quando sinto que preciso de esquecer algo e alguem. Normalmente as minhas conversas incluem o "se existisse a maquina do eternal..." :) Ainda ontem o disse!
Quanto ao Closer, sim, concordo efectivamente com o comentário que colocaste. Quanto às relações, o que te posso dizer da minha experiencia é que primeiro vem a paixão e depois vem o comodismo. Amor? Desacreditei-me. Mas tu sabes como eu sou... Tenho estas fases estranhas.
Beijinhos
Sim, um amor que desabou no esquecimento eterno. Mas o mais enternecedor do filme na minha opinião, é a inevitabilidade. Quantos de nós também não desejaríamos apagar alguém? Mas como o filme tão bem demonstra só teríamos vontade de apagar aquelas, cuja lembrança é dolorosa demais para ser suportada numa rotina. Eles eram inevitáveis, apagaram-se um ao outro, e depois encontram-se como desconhecidos e a inevitabilidade volta a juntá-los. O que leva à seguinte conclusão: há coisas que nem o esquecimento pleno pode afastar do nosso percurso de vida.
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