sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

O Costume.

Se os sonhos fossem cavalos, os mendigos seriam todos cavaleiros.

domingo, 23 de Novembro de 2008

As my shoes fill up with water.

So I'll wait for you... And I'll burn
Will I ever see your sweet return?
Oh, will I ever learn?
Oh, lover, you should've come over
Cause it's not too late.

sábado, 22 de Novembro de 2008

Schiele.








A Rosa de Auschwitz.

Procurei a vila num mapa e não consegui encontrá-la. Era uma vila pobre, construída a partir do mesmo granito cinzento a que a montanha se une firmemente. As calçadas eram da mesma pedra cinzenta, muitas vezes humedecidas pela chuva, e ocasionalmente cobertas com um pesado manto de neve. Havia vinte e cinco casas na vila, e o velho vivia na última de todas, na parte alta, por cima da escola. A sua casa era tão escura e simples como qualquer outra casa na vila. Mas, por detrás dela, havia uma estufa construída da forma mais confusa, tão delicada e labiríntica como a estufa nos Kew Gardens em Londres. Nessa estufa, o velho plantava rosas. Era provável que a estufa fosse mais quente do que o seu próprio pobre quarto e a sua cozinha escura. Se as cinzas no forno eram muitas vezes brancas e frias, a caldeira de aquecimento da estufa nunca esmoreceu durante a passagem do Inverno. E nos piores meses, mudava o seu colchão para a estufa e passava lá as noites. Falava muito mal castelhano e, muitas vezes, irritava o vendedor com os seus pedidos. As pessoas na vila nunca antes haviam tido um estrangeiro entre si e, após vinte e cinco anos, ele era visto mais como uma peste do que como uma novidade. O seu correio era, muitas vezes, desnecessariamente atrasado pelo funcionário dos correios: um inútil e maldoso jogo que dava menos prazer do que arreliar a velha camponesa que esperava pelas cartas do filho. O funcionário atormentava o velho serena e determinadamente, colocando as suas encomendas à vista desarmada na prateleira, insistindo que não eram para ele. O velho aceitava esta atitude pacificamente, quando chamado aos correios persistentemente, dia após dia, onde esperava com paciência ao balcão, enquanto esfregava as pequenas mãos húmidas e respirava sobre elas para mantê-las quentes. Nunca se queixava. Nunca explicou que as encomendas eram livros sobre a produção de rosas híbridas, mas também não teria feito diferença se explicasse. Quando os livros ficaram finalmente disponíveis, caminhou dolorosamente de regresso a casa: era uma figura cinzenta que parecia frágil e insignificante nesta vila onde tudo parecia tão frio, pesado e incompreensível. Um dia, ofereceu um grande relógio à pequena escola da vila. A oferta foi recebida com embaraço. Um ano mais tarde o relógio parou. A opinião na vila era de que o relógio era de qualidade inferior.
Os ponteiros ainda apontavam 7 horas e 18 minutos quando mais dois estrangeiros chegaram à vila, quinze anos mais tarde. Fizeram perguntas nos correios e o funcionário disse-lhes alegremente tudo o que sabia sobre o velho da estufa. Até lhes deu duas encomendas que tinha guardadas há mais de um mês. Nessa noite, o velho deixou a vila com os outros dois estrangeiros, que eram membros do Serviço de Segurança Israelita. Mais tarde, a vila soube que o pequeno e quieto estrangeiro era um antigo comandante de Auschwitz. Os habitantes locais contam agora que, quando visitaram a estufa do velho, descobriram a mais bela rosa com que alguém alguma vez poderia sonhar. Era duas vezes o tamanho do punho de um homem e preta, só com uma suavidade vermelha nas suas pétalas de veludo.

Quando visitei a vila na Primavera de 1974, a rosa, ou melhor, uma das suas descendentes, ainda lá estava, cuidadosamente alimentada pelos habitantes da vila, e exposta, com orgulho, aos visitantes. Os habitantes insistem que se pode cheirar as valas comuns de Auschwitz na estufa, e que o odor pesado e doce da morte emana desta singular rosa negra. Chamam-lhe A Rosa de Auschwitz.

[Collected Stories, Peter Carey (1996) - Tradução Pessoal]

quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Hoje não. Não mesmo!

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

[A Gente Vai Continuar, Jorge Palma]

quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Memórias.*

My heart is drenched in wine
But you'll be on my mind
Forever.

*As boas recordações têm um sabor mais doce quando são lembradas com a pose à Norah Jones: com a mão no queixo.

sábado, 15 de Novembro de 2008

The State I'm In.

And now I know...

...that there's a link between the two of us.

quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Um Tratado Sobre a Humanidade.

Há esperanças que é loucura ter.
Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida.

[Ensaio Sobre a Cegueira (1995), José Saramago]

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Verbo da Moda.

Apaixonar(-me) é a minha tendência Outono/Inverno.

quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Por Toutatis, isto diverte-me tanto!

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Let us die young or let us live forever.

Loose lips might sink ships
But loose gooses take trips
To San Francisco, double dutch disco
Tech TV hottie, do it for Scotty
Do it for the living and do it for the dead
Do it for the monsters under your bed
Do it for the teenagers and do it for your mom
Broken hearts hurt but they make us strong and

We won’t stop until somebody calls the cops
And even then we’ll start again and just pretend that
Nothing ever happened.

terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Biscuit Girl

Hoje tive uma aula, leccionada pelo meu professor preferido, com a duração de 2h30 sobre os princípios do Funcionalismo. Ora, todos sabem que não é permanecendo nos recantos inúteis do pensamento que se aprende a atribuir funções a todos fenómenos com os quais nos deparamos. Afinal, toda a realidade não tem valor em si: é puro acidente, contingência, fruto do acaso. E mapeando um dos maiores teóricos sociais do século XX, surge então o nome de Luhmann, para quem o amor é um sistema, um código a desmistificar. O funcionalismo fervoroso do alemão fica para sempre inscrito na sua reacção lógica, no mínimo, à morte da sua esposa: “Bem, é um aborrecimento, mas agora sempre vou ter mais tempo para trabalhar.” É a Ansiedade a querer entrar em cena no teatro Cumes do Pensamento, onde o Sentimento ainda é o protagonista principal. Como eu te percebo, Niklas... É que acabei de jantar e é óbvio que ainda me sinto muito satisfeita, mas quer-me parecer que comprei as bolachas mais deliciosas do Mundo. De modos que nunca mais vejo a hora de voltar a ter fome para comê-las. É assim que se passa o tempo: a divagar sobre oscilações permanentes entre o racionalismo organizado em função da realidade exterior e a emotividade construída em função da vontade interior. Posto isto, não resisti: já comecei a devorá-las. Eu sou assim: respiro impulsos, e às golfadas!

The Change We Need.

Yes, we can.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Das Considerações Simples.

Um amigo lançou-me o desafio de resumir, numa palavra, o que, na realidade, sinto. Sem floreados, metáforas, "máscaras", enfim... vocabulário elaborado. Segundo o próprio, eu escreveria o tudo isto:

«Foi então, que ao relançar os seus magníficos olhos sobre um indivíduo do sexo oposto, ele chegou a uma insípida conclusão, que o tomou por completo. Jamais conseguiria ele retirar da sua mente, tornando-se mesmo, um suplício, uma cruz, algo que teria de acartar para o resto da sua vida. Se não fosse por ter ao seu lado o seu grande companheiro, confidente em horas de aperto, nunca poderia retirar este gigantesco peso dos seus ombros. Diria ele para o seu amigo, que lhe passou a vida diante dos olhos, ao ver imagem tão aterradora, tão grotesca, como aquela pessoa, emanando solidão, tristemente asquerosa, cujo corpo nada se aproveitava. Somente um indivíduo que a natureza deixou de lado, designando-o por "restos". Se não fosse pelo seu companheiro, não se teria libertado de tal imagem, pois foi este mesmo que lhe apontou uma rapariga lindíssima, que lhe fez esquecer por completo a horrífica imagem anterior.»

...para dar conta, simplesmente, de um cenário em que dois amigos adjectivam uma rapariga de uma forma desagradável.

Pois bem, meu caro...sinto-me assim: feliz!